Da ditadura do corpo para a beleza do coração
Leve e etérea com seus 1,74m, 40 quilos e 21 anos de idade. Seu rosto lindo de olhos cor de mel, dirigidos para a lente do fotógrafo, parecem distantes e impessoais.
Ela habita um mundo distante, feito de tecidos, perfumes e salto alto. Ali não existem as coisas concretas da vida. Não se come, não se bebe, vive-se de ar, de brisa, de nada. Ela lutava para ser aceita, acolhida, abraçada pelo corpo que tentava desenhar pela autopunição do não comer para ter um corpo e uma beleza nos padrões que os seres humanos atuais exigem para si mesmos e para quem os cerca. Morreu assim a Ana Carolina, paulista de Jundiaí São Paulo em Novembro 2006.
Neste mundo dos figurinos, das passarelas, dos cliques dos fotógrafos, das páginas de jornais e revistas, no entanto, também se morre. Morre-se de fraqueza, de vazio interno e externo, de vida artificial e produzida pela ausência do sustento da vida: comida, bebida, saúde e vitalidade.
Morre-se da tortura do ideal inalcançável da esquálida magreza, filha da cobrança implacável do mercado, que decreta que o padrão de beleza é ser magra. Morre-se torturado nos porões da mais implacável das ditaduras: a da beleza fabricada à custa da saúde. Morrre-se pelo desejo de ser aceito amado e não ser excluído.
Ele era forte, pai, trabalhador, dedicado a família e aos amigos. Apareceram umas pequenas manchas na sua pele, logo, as manchas se transformaram em feridas.
Sua esposa não mais o beijou,seus filhos se afastaram não mais o abraçaram, perdeu o emprego e logo o isolaram em lugar em lugar onde havia outros como ele. Ninguém convivia come eles. O alimento chegava sempre no mesmo horário. Eles tinham que ficar de longe olhando até quem trouxesse o alimento se afastasse. Total isolamento.
Quando a saudade dos filhos apertava muito, ela tentava sair daquele lugar, mas assim que era visto começava o apedrejamento, se ele não voltasse certamente seria morto à pedradas.
Ele começou a ouvir que Deus havia encarnado e andava entre os mais sofridos curando e fazendo o bem aos que ninguém enxergava, abraçava, falava. Resolveu ir até o Deus encarnado, que se chamava Emanuel, mas que os homens o chamavam Jesus de Nazaré para adorá-lo.
Desviando-se e escondendo das pedradas chegou até Jesus, e ajoelhando-se disse: Se quiseres, podes purificar-me, Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. (Mc. 1.40-42),
Jesus, então pediu aquele homem fosse até os demais homens que anteriormente o excluíam do convívio e anunciasse a eles que Deus havia se aproximado dos seres humanos em forma de homem par que todos soubessem que mesmo que os homens conseguissem fazer a assepsia da cidade e do convívio deles pela exclusão dos pobres, sofridos, doentes, aleijados, cegos, bêbados, viciados, homes sexuais, negros, gordos, aneróxicos, deprimidos.
A ditadura do corpo havia terminado. Os seres humanos não seriam mais excluídos, isolados, abandonados pela sua aparência. O Deus encarnado decretava agora que o importante era a transformação do coração. Ela viera para a dar todos a cura da alma através de um novo coração.
Agora todos poderiam ser tocados, abraçados, beijados, porque todos poderiam ter um novo coração que incluía a todos. Decretou-se então que beleza do coração iria prevalecer e terminou-se a ditadura de ser aceito, incluído, amado pelo que corpo que temos.
Naamã Mendes
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Ela habita um mundo distante, feito de tecidos, perfumes e salto alto. Ali não existem as coisas concretas da vida. Não se come, não se bebe, vive-se de ar, de brisa, de nada. Ela lutava para ser aceita, acolhida, abraçada pelo corpo que tentava desenhar pela autopunição do não comer para ter um corpo e uma beleza nos padrões que os seres humanos atuais exigem para si mesmos e para quem os cerca. Morreu assim a Ana Carolina, paulista de Jundiaí São Paulo em Novembro 2006.
Neste mundo dos figurinos, das passarelas, dos cliques dos fotógrafos, das páginas de jornais e revistas, no entanto, também se morre. Morre-se de fraqueza, de vazio interno e externo, de vida artificial e produzida pela ausência do sustento da vida: comida, bebida, saúde e vitalidade.
Morre-se da tortura do ideal inalcançável da esquálida magreza, filha da cobrança implacável do mercado, que decreta que o padrão de beleza é ser magra. Morre-se torturado nos porões da mais implacável das ditaduras: a da beleza fabricada à custa da saúde. Morrre-se pelo desejo de ser aceito amado e não ser excluído.
Ele era forte, pai, trabalhador, dedicado a família e aos amigos. Apareceram umas pequenas manchas na sua pele, logo, as manchas se transformaram em feridas.
Sua esposa não mais o beijou,seus filhos se afastaram não mais o abraçaram, perdeu o emprego e logo o isolaram em lugar em lugar onde havia outros como ele. Ninguém convivia come eles. O alimento chegava sempre no mesmo horário. Eles tinham que ficar de longe olhando até quem trouxesse o alimento se afastasse. Total isolamento.
Quando a saudade dos filhos apertava muito, ela tentava sair daquele lugar, mas assim que era visto começava o apedrejamento, se ele não voltasse certamente seria morto à pedradas.
Ele começou a ouvir que Deus havia encarnado e andava entre os mais sofridos curando e fazendo o bem aos que ninguém enxergava, abraçava, falava. Resolveu ir até o Deus encarnado, que se chamava Emanuel, mas que os homens o chamavam Jesus de Nazaré para adorá-lo.
Desviando-se e escondendo das pedradas chegou até Jesus, e ajoelhando-se disse: Se quiseres, podes purificar-me, Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. (Mc. 1.40-42),
Jesus, então pediu aquele homem fosse até os demais homens que anteriormente o excluíam do convívio e anunciasse a eles que Deus havia se aproximado dos seres humanos em forma de homem par que todos soubessem que mesmo que os homens conseguissem fazer a assepsia da cidade e do convívio deles pela exclusão dos pobres, sofridos, doentes, aleijados, cegos, bêbados, viciados, homes sexuais, negros, gordos, aneróxicos, deprimidos.
A ditadura do corpo havia terminado. Os seres humanos não seriam mais excluídos, isolados, abandonados pela sua aparência. O Deus encarnado decretava agora que o importante era a transformação do coração. Ela viera para a dar todos a cura da alma através de um novo coração.
Agora todos poderiam ser tocados, abraçados, beijados, porque todos poderiam ter um novo coração que incluía a todos. Decretou-se então que beleza do coração iria prevalecer e terminou-se a ditadura de ser aceito, incluído, amado pelo que corpo que temos.
Naamã Mendes
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